sexta-feira, 16 de julho de 2010

3 - André

Terminei com os telefonemas na quinta, ainda na redação e depois do meu expediente fui para casa, decidida a ficar por lá, poupando energia pro final de semana agitado que eu certamente teria. 
O dia da sexta-feira passou rápido, quando voltei para casa passei pela Vivi na sala, conversei brevemente com ela e fui direto para o banho  para começar a me arrumar, estava curiosa quanto à decoração que o Mateus e a Jéssica fizeram, eles já estavam especializados na tarefa. Enquanto secava os cabelos André entrou no meu quarto pra me atormentar um pouco como de costume. 
_ Olha que gatinha a minha irmã. - Ele me disse com aquele sorriso lindo que eu amava.
_ Ainda não estou gatinha, mas é a intenção pra hoje. Você vai, não é? 
_ Claro, você realmente acha que eu perderia uma festa da Marília? - Ele já tinha adquirido certa afinidade com os meus amigos, eu sempre fazia questão de chamá-lo para as festas.
_ É, acho que não. Vai comigo?
_ Eu não confio em você dirigindo, sabe como é. - Ele sabia que eu era boa no volante e que eu odiava que disessem o contrário. 
Fiz bico e não respondi. 
_ Tá bom, eu estou com vontade de arriscar a minha vida hoje, pode ser. - E sorriu mais uma vez pra mim. 
_ Às dez, sem atrasos. - Eu disse ainda séria. 
_ Ok comandante, já pro banho. - E saiu.
Acabei de me arrumar, dei uma checada nos e-mails e às dez chamei o Dé para irmos. Subimos no carro e coloquei pra tocar uma daquelas músicas que a gente adorava. 
_ Um pouco de rock para abastecer, vai ter muita eletrônica por lá! - eu disse. 
_ Tomara que a gente sobreviva!  - Ele riu.
_ Eu acho que é provável.  - Eu ri de volta.
_ Tá a fim de alguém hoje?
_ Não, nenhum plano, na verdade ando com pouquíssimos planos neste sentido últimamente. 
_ Você anda trabalhando muito, alguém já te disse?  - Todo mundo me dizia, será que o trabalho havia me mudado tanto?
_ Dizem, mas eu sempre respondo que gosto do que eu faço, me sinto bem, você sabe que eu sempre quis trabalhar com isso. - Sorri.
_ É eu sei, deve ser ótimo ter certeza do que se quer.
_ Você certamente tem alguma experiência em não ter certeza. - Eu disse rindo, mas eu imaginava que meu irmão devesse se sentir um pouco perdido, ele não era muito bom em terminar coisas, sempre tinha um plano fracassado pra contar. Tinha vinte e três anos e três faculdades trancadas. Agora estava no primeiro ano de Publicidade e eu torcia muito por ele.
_ Pois é, mas eu acho que este ano as coisas vão mudar, eu estou gostando da faculdade, tirando esta aula que você está me fazendo assassinar friamente hoje e trabalhar com o tio na loja tem sido bom também.
_ Um assassinato de vez enquando é bom para aliviar os stress e você sebe que para mim nunca vai importar o quanto você errar, você sempre vai ser o melhor para mim, o meu preferido. - Eu disse quase chorando, sim, eu também andava mais emotiva nos últimos tempos, devia ser influência da gravidez da Vivi, mas era totalmente verdade, o meu irmão era uma parte tão grande de mim que era inexplicável o tamanho do meu amor.
Ele deu de novo um largo sorriso e zombou de mim um pouco para não perder a chance. _ Eu sei que deve ser difícil pra você, mesmo sendo minha irmã, ter um irmão assim tão irresistível! 
_ Ha Idiota! Eu falando uma coisa tão bonita e você fazendo piada! - Esbravejei. 
_ Você sabe que também é minha preferida. 
_ Claro que sei. - Eu sabia, a nossa ligação sempre foi muito recíproca, mesmo a Vivi tendo cuidado de nós dois quando criança, pois tinhamos só dois anos de diferença enquanto ela era dez anos mais velha que eu, nós sempre fomos mais ligados, Vivi sempre teve ciúmes disso porque brincávamos juntos, estudamos na mesma época e eu sempre quis fazer parte da turma dele, pelo menos até eu começar a jogar volei, o momento em que conheci os meus próprios amigos, o maior encontro de todos, como quem acha o maior tesouro do mundo.
Estacionei na frente da República e nós cantamos juntos o refrão da nossa música preferida que estava tocando: "With the lights out it's less dangerous, here we are now entertain us, I feel stupid and contagious". Desliguei o som, entramos na república.    

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